
Em resposta à disparada nos preços da carne bovina em Bom Jardim e na região, internautas começaram a compartilhar a ideia de um boicote ao produto. Segundo postagens nas redes sociais, como a carne de boi é um alimento perecível, se os consumidores pararem de comprá-la e optarem por peixe, frango ou porco, os açougues não terão outra opção que não seja baixar o preço.
Em um ano o preço disparou em Bom Jardim e na região em mais de 100%, O KG de carne maciça que custava antes 15 reais, hoje chega a custar entre 30 a 32 reais, a carne com osso, que é a mais barata, por exemplo, custa 23 reais em Bom Jardim.
Nossa equipe entrou em contato com diversos atores para tentar explicar o que está acontecendo, pois mesmo com a queda do preço do arroba do gado, os preços continuam a subir.
Os magarefes de Bom Jardim ouvidos por nossa reportagem afirmam que o preço já chega alto até eles, ainda segundo a informação, existe uma competitividade muito grande com os grandes e compradores de outros estados, que são os que puxam o preço da carne, “O preço já chega alto, mas o que os fazendeiros passam pra gente é que a exportação e o pessoal de outros estados estão vindo comprar no maranhão e faz o preço subir, o fazendeiro vende no curral vivo na exportação do mesmo preço que vende morto pra gente, ai eles preferem vender pra fora, ai a gente fica submisso, estamos pegando muito caro para repassar ao consumidor” Afirma um dos ouvidos que prefere não ser identificado.
Já outro personagem ouvido por nossa reportagem, afirma que matar gado sim, dia não, como é feito hoje no município, diminui a demanda e que se matasse todos os dias traria mais ofertas, (essa ideia inclusive está sendo cogitada pelos administradores do matadouro), o que segundo a teoria, derrubaria o preço do produto, porem, esse posicionamento é descartado pelos açougueiros, que afirmam que essa forma foi apenas uma adaptação para melhoria do consumo da carne, para não haver sobras e ter uma carne fresca.
Os açougueiros ouvidos por nossa reportagem, inclusive, dizem apoiar o movimento, mas que ele seja geral no estado do Maranhão ou no Brasil para pressionar a queda dos preços.
UM BOICOTE RESOLVERIA O PROBLEMA DO PREÇO DA CARNE NA CIDADE?
Segundo economistas não é bem assim que funciona, uma tentativa de boicote só teria efeitos pontuais, não conseguiria reduzir o preço geral e prejudicaria apenas quem está na ponta da cadeia produtiva, os pequenos açougues, por exemplo.
Para os especialistas, a corrente em prol do boicote não daria certo por dois motivos:
Boicotes não costumam funcionar quando o alvo é amplo;
Mesmo se ele funcionasse, os preços não cairiam porque os fazendeiros venderiam a carne para os grandes frigoríficos que venderiam ao mercado externo, como já ocorre hoje na região do Vale do Pindaré.
André Diz, professor do Ibmec São Paulo, diz que o boicote nem chegaria a se concretizar porque “carne vermelha” é um alvo muito amplo e, como diversos movimentos da internet, este não teria a organização necessária para vingar.
Boicotes tendem a funcionar quando se dirigem a uma determinada marca, por exemplo, que pode ser prejudicada financeiramente. Mas contra a carne bovina [no geral]? Quantos brasileiros a consomem e quantos de fato deixariam de consumi-la? Para funcionar mesmo, tem de ser muitas pessoas e por muito tempo, o que não parece o caso, para o boicote funcionar, aponta, teria de haver uma organização nacional. “Como seria essa coordenação para garantir que todo mundo iria parar de consumir?”, questiona.
EXPLICAÇÃO REAL DO AUMENTO DO PREÇO
A explicação principal está na tal lei da procura e da oferta. “Em 2020 nós tivemos o seguinte cenário: desvalorização cambial, que é o real bem mais barato que o dólar. Com isso, o preço da carne brasileira ficou competitivo no cenário internacional. Ou seja, juntando a demanda internacional e a demanda interna, no aglomerado houve uma elevação da procura na carne brasileira. Por outro lado, os ofertantes continuam sendo basicamente os mesmos produtores de carne”, Afirmam os economistas ouvidos.
A expectativa para este início de ano não deve mudar, para 2021 a tendência é a mesma, tendo em vista que o cenário permanece. O dólar acima de R$ 5 e uma expectativa de produção de carne não tão elevada em relação à procura;



